Cristina Amorim

……………… Economia e Gestão do setor Saúde ………………

“Importação de médicos: corporativismo e qualidade profissional.

A mídia tem noticiado a intenção do governo federal em alterar a metodologia para a revalidação de diplomas de médicos estrangeiros que desejem trabalhar no Brasil, no intuito de abrandar a disparidade da oferta nacional desses profissionais, hoje concentrados no Distrito Federal, Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No discurso oficial, faltam médicos em regiões específicas para o atendimento aos pacientes do SUS.

As entidades representativas dos interesses médicos replicaram: não faltam médicos, há atualmente 185 escolas médicas no País (até a redação deste), temos a 5ª maior população mundial de médicos, somando mais de 371 mil profissionais. Faltam políticas públicas para atrair os médicos às áreas carentes, e mais, faltam plano de carreira para os médicos do SUS e remuneração competitiva com a iniciativa privada.

Adicionalmente, essas entidades alegam que os “importados” não têm qualificação suficiente para atender a população: em 2010, de 628 candidatos submetidos aos exames teórico e prático para revalidação do diploma, 626 foram reprovados. Número assustador, porém, como teriam se saído os médicos diplomados pelas 185 faculdades brasileiras? E o que dizer do desempenho dos mais de 370 mil médicos brasileiros, se também fossem submetidos às mesmas provas?

Não é surpresa a posição das entidades médicas na defesa do mercado de trabalho, para tanto existem, desde os idos de 1829, com a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. O governo federal, por sua vez, tem obrigação constitucional de prover a oferta de médico nas regiões mais distantes do “sul maravilha”, parafraseando o genial cartunista Henfil.

Curiosamente, entidades e governo têm razão. Vejamos, o governo tem um orçamento e precisa (esperamos!) administrá-lo com eficiência, o que inclui o controle dos gastos com médicos. Porém, sem os tradicionais instrumentos de gestão de pessoas (salários, benefícios, carreira, etc.), não haverá como reter os médicos estrangeiros. Uma vez autorizados a trabalhar no Brasil, quanto tempo levarão para migrar rumo ao “sul maravilha”?

Quanto à capacidade dos médicos – nativos ou forâneos – provas disso ou daquilo são instrumentos de avaliação frágeis. Para horror de tecnocratas e assemelhados, a debilidade profissional nasce na escola, do ensino básico ao superior, exames não melhoram a capacidade intelectiva e muito menos, não orientam para a conduta ética defendida por Hipócrates.

De acordo com os dados do IBGE, o emprego e a remuneração no setor de serviços está em crescimento nos últimos anos. A diplomacia brasileira busca, há uma década, ampliar sua liderança na América Latina, o que pode ter impactos na maior mobilidade profissional entre nosotros. Por que não liberar a atuação de profissionais estrangeiros com reciprocidade nos outros países, acabar com farra das fábricas de diplomas em parte das faculdades de medicina e criar, no SUS, condições de trabalho suficientes para reter o pessoal qualificado? Já pensaram que beleza? Apenas médicos qualificados e motivados para atender os pacientes do SUS?

Eduardo Perillo – médico, doutor em história econômica.
Maria Cristina Amorim – economista, professora titular da PUC/SP

Anúncios

Saúde, ratos e indicadores gerenciais na saúde

A gestão dos serviços de saúde não pode prescindir de indicadores gerenciais. O gestor precisa acompanhar, controlar e assegurar processos e resultados, ou não há gestão de coisa alguma, muito menos do complexo sistema de saúde brasileiro. Os indicadores gerenciais são elementos-chave para controlar processos, resultados e pessoas, servem para subsidiar a decisão, mas a decisão de qualidade depende de muitos outros elementos – um gestor minimamente experiente sabe disso. A hipertrofia desses indicadores os transforma em agentes da ineficácia dos mesmos sistemas que deveriam ajudar a melhorar.

Foucault (pensador francês do final do século XX) alertou que controlar não é trivial, os controles podem ser burlados ou desmontados. Os indicadores de desempenho e resultados são formas de controle poderosas: podem produzir exatamente o solicitado, mas também podem gerar efeitos perversos, até mesmo abaixo do limite ético e legal. A literatura sobre gestão avisa há mais de um século, indicadores devem ser usados com moderação e não substituem (e muito menos produzem) motivação e comprometimento, sem os quais, a casa cai.

Vejamos exemplos de problemas causados pela substituição da gestão em seu sentido amplo por indicadores para controlar os sistemas de saúde. Nos EUA e Reino Unido, o uso de indicadores de resultados e do desempenho dos profissionais produziu distorções (de aumento de custos à redução da motivação dos trabalhadores) e não melhorou a saúde do público atendido. Assim, desde os anos 90, há um movimento para reduzir o uso dessas formas de controle. A íntegra da análise das experiências citadas está no artigo “Pagamento por desempenho: experiências e reflexões”, de Eduardo Perillo e Mª Cristina Amorim, disponível em cristinaamorim.com.br.

No Brasil, problemas com indicadores de resultado na saúde pública datam da campanha de Osvaldo Cruz contra a peste bubônica, no início do século XX. O governo da cidade do Rio de Janeiro passou a pagar por rato recolhido, para incentivar o extermínio do vetor transmissor da doença. Ato contínuo, muitos brasileiros pobres elegeram a criação de ratos (verdadeiros ou falsos) como meio de vida, passaram a “viver de ratos”. A história está em Estratégias públicas no combate à peste bubônica no Rio de Janeiro, de Matheus Silva, e também no filme de 2011, A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor.

A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica de 2012 elegeu a saúde como tema. Em entrevista à Folha de São Paulo (05/03/2012 – A16), o Arcebispo Metropolitano de São Paulo Dom Odilo Scherer chama atenção para o uso de modelos gerenciais nos hospitais, entre eles, a terceirização, enquanto “a saúde vai muito mal no Brasil”. Os contratos de terceirização dos serviços de saúde entre governo e organizações privadas dependem de indicadores de processos e resultados. De um lado, dinheiro público para agentes privados não pode circular sem controles, de outro, o uso indiscriminado de indicadores como parâmetros na gestão da saúde não garante a saúde do cidadão. Indicadores são sempre parciais, falíveis e podem induzir a severas distorções. Um pesquisador minimamente experiente sabe disso.

A indução de distorções produzidas pelos modelos de gestão demasiadamente dependentes de indicadores não é um detalhe, é o problema que deve ser enfrentado pelos gestores de saúde. Temos que avaliar o quanto não estamos “vivendo de ratos”.

Profª Dra. Maria Cristina Amorim. Prof. Dr. Eduardo Perillo.

Proteção e crédito para a indústria nacional da saúde

O governo Dilma vem anunciando incentivos ao “complexo industrial da saúde”, entenda-se, à indústria nacional de materiais, equipamentos e medicamentos (mat/med). O pacote de benefícios é composto por até 25% de ágio sobre os preços de máquinas ou medicamentos produzidos no Brasil nas licitações públicas; aquisição de máquinas para distribuir aos hospitais públicos do norte e nordeste; R$ 264 milhões para a Hemobrás (empresa estatal de biotecnologia) e crédito para o complexo industrial da saúde. As medidas causaram furor no setor e debate na mídia. Afinal, pelo que debatem ministros e ex-ministros, empresários e economistas?

Vamos por partes. Primeiro, a expressão “complexo industrial da saúde” ilustra um avanço na gestão dos recursos econômicos do setor: os governantes compreendem o setor não apenas na dimensão assistencial (prover acesso dos cidadãos aos serviços de saúde) e de gasto público, mas também como atividade econômica alvo de investimentos, que por sua vez, contribuirão para equacionar os problemas do acesso. Segundo, a expressão “indústria nacional” tem significado amplo, inclui as empresas transnacionais com fábricas instaladas no Brasil.

Para o governo e os segmentos beneficiados, os incentivos objetivam: 1) reduzir o déficit na balança comercial setorial provocado pelas importações de; 2) reduzir a dependência dos produtos importados; 3) orientar os vultosos recursos públicos gastos na assistência à saúde para a geração de empregos e renda no Brasil, ao invés de carreá-los para os países dos quais importamos; 4) promover a internalização do complexo industrial da saúde, o que no futuro, permitiria ao Estado brasileiro reduzir os dispêndios assistenciais.

Os opositores das medidas de incentivos, por sua vez, argumentam: 1) O Estado não deve proteger setores industriais, que se tornariam crescentemente ineficazes; 2) haverá aumento de gastos na compra dos medicamentos produzidos no Brasil, à custa do contribuinte; 3) não há riscos do Brasil não conseguir importar os produtos necessários.

Argumentos genéricos sobre a legitimidade da intervenção do Estado na economia são da mesma natureza dos contos de fada: histórias interessantes para adormecer as crianças. O déficit da balança comercial setorial não é fantasia, porém, irrelevante quando comparado aos números da balança comercial da economia brasileira.

Em 2010, o déficit setorial da saúde foi de US$ 9,35 bilhões  e anunciados US$ 11 bilhões em 2011 (os dados para 2011 ainda não estão disponíveis na página do Mdic). Em valores absolutos, US$ 11 bilhões é uma montanha de dinheiro, mas quando comparamos as  corrente de comércio da saúde (importação e exportação) e a corrente de comércio da economia brasileira, temos US$ 13,97 bilhões e US$ 383,6 bilhões, respectivamente, a primeira representa aproximadamente 3,64% da segunda, apenas. Os riscos de ocorrerem dificuldade de importação são baixas, empresas exportadoras de materiais e medicamentos querem mesmo é vender.

O ponto mais importante da discussão está na magnitude dos gastos governamentais : são R$ 92 bilhões orçados para 2012, a 2ª maior rubrica no orçamento da União, valores maiores que o PIB de vários países da América Latina. Ora, quando destinados à importação, geram emprego e renda no exterior. Assim, faz muito sentido orientar esses gastos (pagos pelo cidadão brasileiro) para que o efeito multiplicador do orçamento da saúde beneficie nossa economia. No curto prazo os custos com a aquisição dos produtos nacionais podem aumentar, mas é preciso cotejá-los com os ganhos de emprego, renda e desenvolvimento científico-tecnológico, bem como com as reduções de custo de produção no futuro. Em tempos de crise econômica internacional, faz sentido não perder oportunidades de fomentar o desenvolvimento interno.

A saúde e a renda do trabalhador

Há algumas semanas um assunto de extrema importância ocupa timidamente um ou outro jornal: a rentabilidade e uso do FGTS. O dinheiro do fundo é descontado compulsoriamente do trabalhador, que recebe como remuneração apenas 3% a.a (mais TR). Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central fez a seguinte conta em matéria publicada pelo Valor Econômico em 13/12/2011: R$ 1,00 aplicado no FGTS em 1994 vale hoje R$ 4,12; o mesmo R$ 1,00 aplicado em CDI (certificado de depósito bancário) valeria R$ 25,00. A conta dá a dimensão do quanto o trabalhador é expropriado pelo Estado. Se a União remunerasse o FGTS pelo preço de mercado, haveria um impacto significativo na distribuição da renda e nas condições de saúde do brasileiro. As lideranças do setor saúde levantarão os olhos para as principais causas dos problemas de saúde? Participarão dos grandes debates da nossa sociedade?

 

O dinheiro do FGTS é utilizado para empréstimos a empresas escolhidas pelos bancos oficiais, com taxas de juros de 6% a.a, quando a taxa SELIC é 11% a.a., Sim, o governo capta recursos a 11% e empresta — mas apenas para alguns — a 6%. A diferença é paga pelo Tesouro Nacional, isto é, pelo contribuinte. Justificativa para tirar dinheiro do contribuinte não há, mas para tirar renda do trabalhador, sim: diz-se que o dinheiro financia o investimento, que produz mais empregos e, no final das contas, beneficia o trabalhador! Outra pérola de justificativa, o FGTS pode ser usado para aquisição de casa própria (sob determinadas condições, é claro)!

 

Ora, é claro que não há relação direta entre o dinheiro recolhido sobre o salário e o emprego, e ainda que houvesse, a apropriação da renda gerada pelo trabalho é socialmente injusta. O investimento deve ser financiado pelo lucro e crédito, e não pelo trabalhador. Na ponta do financiamento da casa própria, soltar dinheiro para o crédito imobiliário, além de promover o setor da construção civil, aumenta a popularidade do governo e contribui para eleger presidentes. A grande maioria dos cidadãos-eleitores, no entanto, não repara que seu dinheiro é recolhido todos os meses a sua revelia, volta para alguns na forma de grandes lucros, e para muitos, na forma de hipotecas por 25 ou 30 anos, ao término dos quais, pagou seu imóvel residencial de 2,5 a 3 vezes.

 

Muitos dos problemas dos brasileiros no acesso aos serviços de saúde são causados pela concentração da renda. Quanto maior o percentual de pobres em nossa sociedade, mais o Estado precisa garantir produtos e serviços; quanto maior a pobreza, menor o nível de instrução e seu corolário de desgraças sobre a alimentação e hábitos de vida, maior a exposição à violência (uma importante causa de mortalidade), e assim por diante.

 

Se o FGTS remunerasse o trabalhador à taxa de mercado, o primeiro imóvel residencial seria obtido antes, a dívida com a casa própria seria menor ou sequer existiria, haveria mais dinheiro disponível para o consumo, inclusive para comprar todos os bens e serviços que resultam em vida melhor, da alimentação adequada ao seguro saúde.

 

Tradicionalmente, as lideranças do setor saúde se posicionam apenas sobre os temas que as afetam diretamente. Não está errado, mas poderia ser muito melhor. Deveriam ampliar o leque de atuação na sociedade, politizar-se e posicionar-se no sentido positivo dos termos, participar do debate mais amplo sobre a política monetária, a remuneração e destino dos fundos como FAT e FGTS, a estrutura tributária e a guerra fiscal, entre tantos outros temas cruciais para a distribuição da renda, e por isso mesmo, para a saúde do brasileiro.

 

(por Maria Cristina Amorim – economista, professora titular da PUC/SP e Eduardo Perillo – médico, doutor em história econômica).

Liderança e programas de recompensas

Liderança e programas de recompensas: limites e possibilidades

Por Dione Fagundes Nunes Gomes e Maria Cristina Sanches Amorim
As teorias sobre liderança convergem para a importância do motivar enquanto
atribuição do líder. Há dois modelos de motivação: extrínseca e intrínseca. Embora ambos tratem de recompensa, a forma de atuação ocorre de maneira distinta. Objetiva-se analisar os limites e possibilidades dos programas de recompensa utilizados pelas lideranças nas organizações. Para os autores não behavioristas, as recompensas extrínsecas traduzem-se em formas de manipulação e suborno a favor dos interesses de quem detém o poder. Para os behavioristas, a organização de sistemas de recompensas extrínsecas e intrínsecas é a forma privilegiada de motivar, devendo ser utilizada pelo líder.

Nossa reflexão aponta para as possibilidades de uso equilibrado e planejado tanto das recompensas intrínsecas como das extrínsecas, dependendo do contexto, dos objetivos e da duração do grupo. Utilizamos como metodologia o estudo de autores muito trabalhados em cursos de graduação em administração, tendo em vista situar nossa contribuição precisamente para a leitura crítica desse público.
Prossiga na leitura: baixe o artigo completo em arquivo PDF.

 

Quem disse que Lula não se trata no sistema público de saúde?

O diagnóstico e o tratamento do câncer do ex-presidente Lula ganhou imenso destaque nas revistas e jornais, fato que, por sua vez, levantou temas outros no mundo da saúde. Alguns leitores aproveitaram para perguntar a Lula por que não buscava tratamento em um hospital do SUS. Ao ex-presidente Lula desejamos pronta e plena recuperação de sua saúde; aos leitores que supõem que Lula não utilizou recursos públicos, desejamos contribuir para esclarecer alguns pontos sobre o sistema hospitalar brasileiro.

Há várias categorias de hospitais no Brasil. Há os estatais, os públicos e os privados. Entre os privados, há aqueles com ou sem fins lucrativos. Apenas os hospitais privados com fins lucrativos não recebem dinheiro público, isto é, dos contribuintes. O hospital utilizado pelo ex-presidente Lula, por exemplo, é privado sem fins lucrativos, na categoria de instituição filantrópica de excelência e faz parte do SUS. A categoria filantrópica de excelência significa imunidade fiscal, não pagamento da cota patronal da previdência que incide sobre a folha de salário e desobrigação de ofertar 60% dos leitos para os pacientes SUS. Vale apontar, os hospitais são organizações intensivas em mão-de-obra, item mais relevante no custo total. O repasse de recurso do Estado para esses hospitais equivale a aproximadamente 30% dos gastos totais.

As santas casas são organizações filantrópicas que, fiéis à origem caritativa, atendem principalmente aos pacientes SUS (o atendimento aos convênios é atividade complementar). Os principais hospitais de São Paulo, que se destacam quanto à utilização de tecnologia associada à medicina, pela beleza de hotelaria e importância da marca, são não apenas filantrópicos, mas filantrópicos de excelência (uma sub-categoria).

Os hospitais filantrópicos de excelência, como contrapartida ao uso de recursos públicos, prestam alguns procedimentos de alta complexidade aos pacientes SUS e assessoria/capacitação para outros hospitais públicos. Um segundo ponto para ressaltar na discussão sobre o sistema hospitalar brasileiro: os vários procedimentos de saúde reembolsados pelo SUS aos hospitais têm diferentes graus de complexidade, os mais complexos são mais caros; vender serviços de alta complexidade para o SUS garante a demanda por produtos lucrativos.

Assim, o ex-presidente Lula, como vários outros cidadãos, escolheu utilizar recursos públicos para recuperar a saúde. Mais uma vez, desejamos-lhe muito sucesso.

Maria Cristina Amorin – Eduardo Perillo

Ética em saúde

Ética em saúde

Por Maria Cristina Sanches Amorim e Eduardo Bueno da Fonseca Perillo

A base econômica da nossa sociedade incentiva a busca interminável pelo sucesso e, consequentemente, as condutas competitivas. Faz parte da cultura das organizações e da sociedade a ideia de que as ações motivadas pelos interesses individuais, quando somadas, levam ao bem-estar geral. Existe uma vasta literatura científica que nega tal pressuposto, por exemplo, a teoria dos jogos, de John Nash, popularizada no filme “Uma mente brilhante” – mas a defesa do individualismo como princípio justificador, prossegue.

O fato é que as organizações e a sociedade não podem prescindir da solidariedade e do altruísmo. Daí a tensão permanente entre interesses individuais e coletivos.

Nas organizações do setor da saúde, essa tensão é particularmente importante, aflora nas mais variadas formas e deveria ser objeto de atenção dos gestores das instituições. Uma das formas do conflito evidencia-se na relação entre profissionais de saúde e fornecedores de materiais, equipamentos e medicamentos.

Continue a leitura: baixe o artigo completo em PDF.

Análise de conflitos entre Médicos e Enfermeiras

Gênero, Representação Simbólica e Origem Social nos Conflitos entre Médicos e Enfermeiras

Por Ítala Maria Bazzarelli e Maria Cristina Sanches Amorim

Os conflitos entre enfermeiras e médicos nos hospitais são fontes de sofrimento para ambas as profissões. Conflitos são característicos de quaisquer organizações capitalistas, mas assumem peculiaridade nos ambientes hospitalares. O artigo avalia as origens e formas assumidas pelo conflito, em hospitais públicos e privados, na perspectiva da teoria política. A pesquisa (qualitativa) partiu de dois pressupostos — a existência do conflito e o entendimento deste como disputa pelo poder. Por meio de entrevistas e questionários levantamos elementos sobre as escolhas das profissões de enfermeira e médico e do padrão de relacionamento entre ambos. A análise das entrevistas mostra que as representações simbólicas das profissões, as diferenças de gênero e de origem social fazem parte da origem dos conflitos e estão na genealogia das disputas pelo poder.
> Continue a leitura: clique e baixe o artigo completo em PDF.

(Artigo publicado originalmente na Revista Psicologia Política, Jan-Jun 2010)

Poder e Liderança

Poder e Liderança: as contribuições de Maquiavel, Gramsci, Hayek e Foucault

por Maria Cristina Sanches Amorim e Regina Helena Martins Perez

Liderança é um campo amplo no universo do comportamento organizacional.
Os conceitos são problemáticos, no sentido da delimitação do objeto de estudo,
ainda controversa. A maior parte da literatura origina-se na psicologia social,
enquanto que a teoria política é pouco explorada na construção dos conceitos.
Contribuições de autores oriundos da psicologia social, quando “traduzidas”
para o grande público disseminaram estereótipos marcados pelo viés do chamado politicamente correto e pela despolitização do tema.

Neste artigo, o objetivo é mostrar que a ciência política pode ampliar o debate, propondo o estudo das relações entre poder e liderança nas organizações. Em resumo, a conclusão é que a ciência política permite definir liderança como exercício de poder nas organizações, contornando o problema conceitual do tema: poder não tem conotação negativa ou positiva, e exercer o poder é uma contingência da liderança.

Clique para ler ou baixar o artigo completo, em arquivo PDF.

Incentivos para genéricos

Incentivos financeiros para medicamentos genéricos: estudo de caso sobre programa de reembolso

Por Marcos Inocencio, Maria Cristina Sanches Amorim, Arnoldo Jose de Hoyos Guevara, Bruna de Vivo

Para discutir o uso de incentivos financeiros na escolha de medicamentos e avaliar os resultados econômicos de seu uso na indução da substituição de medicamentos de referência por genéricos, em empresa com programa de reembolso, foi realizado um estudo de caso em um grande supermercado. Os dados foram obtidos a partir de pesquisa que atingiu 83.625 beneficiários.

A adoção de incentivos financeiros, na empresa estudada, aumentou o consumo de genéricos sem reduzir os gastos da companhia com o reembolso dos mesmos. O estudo mostrou, ainda, a ocorrência de resultados não planejados — como o aumento do consumo de medicamentos.

Continue a leitura: clique para baixar o artigo completo em PDF.

 

(Artigo originalmente publicado na revista Einstein, 2010)

 

 

CPMF, de novo?

Começando do começo. A Emenda 29 regulamenta os gastos dos municípios e estados com os serviços de saúde, estabelece o piso de 15% do orçamento para os primeiros e 12% para os segundos, e mais, determina os tipos de gastos (não dará mais para construir praça em frente ao hospital e jogar na rubrica saúde). Ocorre que a maioria esmagadora dos municípios e estados não tem dinheiro, e com a Lei, a União será obrigada a repassar tributos. Em tempos de aumento de superávit primário (redução de gastos) para enfrentar a resistência à redução dos juros, a União não está disposta a gastar com a Emenda 29 e continua tentando segurar a votação. Porém, a aprovação da Emenda no final de setembro é dada como certa. Nesse cenário, por que não reeditar a CPMF?

A CPMF entra em cena. Os governos estaduais e principalmente o federal aumentam a capacidade de arrecadar tributos acima da inflação e do crescimento do PIB há uma década. Ainda assim, alegam não ter dinheiro para arcar com os custos da Emenda 29. Para o governo federal, a votação da CPMF é uma oportunidade de ouro para “matar três coelhos com uma só cajadada”. Reparem, com o retorno do tributo o governo: 1) fica bonito na fita com o pessoal da saúde, ao atender a velha – e legítima – demanda da regulamentação da Emenda 29 e destinar-lhe mais dinheiro; 2) ampliar alianças com parlamentares, que sairão por aí como paladinos da saúde; e 3) arranja fonte adicional de dinheiro para pagar a dívida interna e cumprir a meta de superávit.

Destino e consequências da CPMF. O tributo em pauta é tudo de ruim: incide sobre serviços, será incorporado como aumento de custos e de preços, ou, o consumidor, independentemente de sua renda, pagará a conta final. Esse efeito será particularmente agudo dado o crescimento da economia e pressão de demanda sobre os preços. É uma contribuição, ou seja, ao contrário dos impostos, o governo federal não tem obrigação de repartí-la com estados e municípios, irá diretamente para o Fundo de Estabilização, para remunerar rentistas, à magnificência da taxa SELIC (acima de 10%.), como o fez durante 1997/2006. Algum dinheiro para a saúde há de sobrar, nisso aposta o governo federal para conseguir legitimidade ao retorno da CPMF. É um abuso, uma tentativa de fazer caixa na carona de uma demanda importante e necessária como a aprovação da Emenda 29.

Fontes de recursos estáveis para o financiamento da saúde. Os mortais comuns não podem gastar acima de seus ganhos. Com o governo federal a lógica é outra, o nível de gastos e investimentos não é indicador de “gastança” ou “responsabilidade fiscal”. O déficit e superátiv são instrumentos clássicos de políticas econômicas. A sociedade democrática escolhe quanto de um ou outro, não faz sentido o governo afirmar que não tem dinheiro para os gastos decorrentes da aprovação da Emenda 20. Tem sim. Vejamos: a cada 0,5% de redução da taxa de juros (SELIC) sobram bilhões de reais/ano; até hoje o governo federal não cobrou o dinheiro devido pelas operadoras de planos e seguros saúde quando seus clientes usam a rede SUS; o BNDES aumentou os saques sobre o Tesouro, usa recursos do FGTS e do FAT, empresta a 6% ao ano e paga acima de 10%; no campo fiscal, a lei sobre fortunas agoniza há muito. A lista de alternativas à CPMF é longa.

Para entender a saúde no Brasil Volume 4

Clique para ler ou baixar o conteúdo do livroLançado em meados do primeiro semestre de 2011, o livro Para entender a saúde no Brasil Volume 4 é a mais recente edição de uma coletânea de artigos de profundidade, inéditos, organizada por Eduardo Bueno da Fonseca Perillo e por mim. Com análises voltadas às áreas de negócios, de gestão, científicas, políticas e técnicas do mercado de saúde, o volume se encontra nas grandes livrarias brasileiras em versão tradicional, impressa.

Mas, se preferir, leia ou faça o download do livro aqui. Clique na capa para ler em tela ou use o botão direito do mouse para baixar, optando por ‘Salvar Destino Como’.

Para entender a saúde no Brasil 4 – Amorim, Maria Cristina Sanches / Perillo, Eduardo Bueno da Fonseca – (c) 2011

> Leia press-release com detalhes sobre a obra, os organizadores e articulistas

Coletânea de artigos científicos e jornalísticos

Para salvar os arquivos em seu computador, clique no link do documento com o botão direito e selecione a opção “Salvar destino como”.

* Regulação dos preços e acesso ao consumo de medicamento no Brasil.Maria Cristina Sanches Amorim – Artigo publicado em SILVA, H. DOWBOR, L. ANTAS JR., R. “Os desafios do consumo” Petrópolis, VOZES, 2007.
Os desafios do consumo.Doc

* Dinâmica do segmento da saúde no Brasil: interesses, conflitos e perspectivas.

Publicado em AMORIM, M.C.S. PERILLO, E. (org.) “Para entender a saúde no Brasil.” SP: LCTE, 2007.
Dinâmica do segmento da saúde no Brasil.Doc

* Formação de Gestores na Área da Saúde

Publicado na Gazeta Mercantil 22/02/07 – Pag 3.
Mª Cristina Amorim, economista. Eduardo Perillo, médico. Coordenadores do MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde da PUC/SP.
Formação de Gestores.Doc

* Regulação econômica na indústria farmacêutica brasileira.

Artigo para o Seminário Nacional de Medicamentos, 2005
Regulação econômica na indústria farmacêutica.Doc

* Comunicação nas organizações – descobrindo possibilidades de ação.

Publicado em DOWBOR, L. Desafios do Trabalho. Petrópolis: Vozes, 2004.
Comunicação nas organizações.Doc

* Comunicação Planejada, recurso fundamental para a eficácia da gestão organizacional.

Artigo publicado pela revista Cadernos de Pesquisa em Administração, da FEA/USP, VOL. 1, nº9, 1999.
Maria Cristina Sanches Amorim

Comunicação Planejada.Doc


ARTIGOS JORNALÍSTICOS

Quem acusa o SUS de “excessiva” autonomia?

Valor Econômico, 23/03/09.
PERILLO, E.B.F. AMORIM, M.C.S.
Quem acusa o SUS.Doc

O que esperar em 2007?
Artigo publicado no Jornal do Sindhosp, fev./07

Documento com vários artigos publicados.
Artigos Publicados.Doc

Navegação de Posts