Cristina Amorim

……………… Economia e Gestão do setor Saúde ………………

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Médicos recém-formados no SUS!

Quando o resultado do futebol ocupa as primeiras páginas da mídia impressa, eu penso, bem, afinal, trata-se da paixão nacional e de um negócio milionário. E quando a proposta de alteração do currículo de graduação em medicina, feita pelo MEC e Ministério da Saúde também ocupa parte substancial da mídia, que passa? Passa que interesses corporativos, contexto político-social atípico e muito talento do governo federal em fazer a coisa certa da forma errada estão somados para transformar uma questão acadêmico-profissional em causa nacional.

Após as chamadas “revoltas de junho”, o governo federal lançou o programa Mais Médicos, que, além da contratação de médicos estrangeiros, propõe também “a criação do segundo ciclo do curso de medicina” (segundo o Ministro da Saúde), entenda-se, os médicos recém-formados terão que trabalhar compulsoriamente para o SUS, durante dois anos, a partir de 2015 (se a Medida Provisória não for derrubada).

As associações médicas, compreensivelmente, também são contra o tal do segundo ciclo para formação profissional, fiéis que são à defesa dos interesses de seus associados. Embora o Ministério de Educação tenha poder formal para propor alterações no currículo de medicina (e de qualquer outro curso superior), as associações estão, furiosas por não terem sido “consultadas”. Dados o contexto geral de protesto e a capacidade da categoria em ocupar a mídia, o assunto foi amplificado e ganhou status de debate nacional. Se não bastasse, a Presidente Dilma vetou hoje, 11/07/2013, a Lei do Exercício Profissional, impedindo os médicos de ampliarem as atividades exclusivas na prestação de serviços – por exemplo, apenas os médicos poderiam aplicar injeções. Os conselhos federais de outros profissionais com importante atuação na saúde aprovaram o veto.

Segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o trabalho compulsório no SUS visa aprimorar a formação do médico, dar-lhe a visão da realidade do Brasil e humanizar a profissão. Alguém pode ser contra? Porém, em um país democrático, obrigar profissionais a trabalhar aqui ou ali? Alguém pode ser a favor?

O povo nas ruas, a aproximação das eleições para presidência da república e governadores, a sanha da oposição, as redes sociais, enfim, muitas causas contribuem para vários oportunismos, não faltam caronas e tocadores de bumbo em todos os grupos. É preciso retomar com serenidade e racionalidade alguns dos problemas concretos da prestação de serviços de saúde no Brasil: a escassez da oferta de médicos em várias regiões do Brasil e o distanciamento entre a formação dos médicos e as demandas da população brasileira, entre outros motivos por que há recursos públicos na formação dos médicos.

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