Cristina Amorim

……………… Economia e Gestão do setor Saúde ………………

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Prevenção e promoção de saúde: quem paga a conta?

Prevenção e promoção de saúde, por enquanto, frisemos, apenas por enquanto, custam muito menos às operadoras de planos e às seguradoras de saúde, além de melhorar a qualidade de vida do cidadão. Posto nestes termos, as operadoras deveriam há muito investir pesadamente em evitar que seus clientes adoeçam. Não é o que ocorre, a ponto da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), interessada em proteger o paciente-cidadão pressionar as operadoras para que o façam. Por que as operadoras resistem?

Ações de prevenção e promoção têm custos, beneficiam o usuário e não necessariamente, trazem reduções de gastos para o plano / seguradora de saúde. O usuário “educado para a vida saudável” pode mudar de operadora ou, o que é mais comum, perder o emprego e a assistência à saúde. Na prática, a operadora que investe não obtém o retorno financeiro esperado, o concorrente é que poderá se beneficiar.

A prevenção e promoção de saúde é um tipo de bem público, isto é, aquele no qual custos e benefícios não são convergentes no mesmo agente. Por esse motivo, bens públicos são executados pelo Estado, o único capaz de agir fora da estrita racionalidade econômica, tolerando gastar e não ganhar diretamente. Sendo assim, se os objetivos da ANS com a prevenção e promoção de saúde são para valer, e deveriam ser, recomendamos à agência e às operadoras procurarem outras formas de destinar os custos, distribuindo-os pelas empresas da saúde suplementar por meio de tributos e constituição de fundos. Assim, um empecilho sobejamente conhecido na produção e distribuição de bens públicos, a ação do “carona”, seria resolvido. O “carona”, ou free rider, é a operadora que não gasta um tostão com prevenção, mas se beneficia do investimento ao herdar o cliente “educado”.

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